18 de Jun de 2020

Historicidade da diversidade brasileira

As diversas formas de opressão estão presentes no nosso país há mais de 500 anos. Até pouco antes de 1.500, esta terra era unicamente indígena, alicerçada em valores como culto e respeito a natureza. O ocidente, quando aqui chega sob a forma de caravelas portuguesas, traz outro povo que também se reconhece natureza e comunga de uma ancestralidade comum, apesar de terem sido misturados, diversos povos de várias partes do continente africano. A aculturação, lançada pelo europeu português, foi a forma de tentar homegeneizar as características diversas desses povos de forma violenta, mas houve resistência.

Fundiram-se, sim, mas a essência foi mantida. Povos indígenas ainda hoje mantém-se afastados dos centros, preservando rituais e linguagem próprios. Afrodescendentes fazem questão de seguir o culto aos orixás nas religiões de matriz africana. A resistência à dominação existe até hoje e ainda se manifesta contra o ódio ao diferente, que se apresenta em forma de preconceitos. Assim, vivemos numa cultura que é resultado de muita luta. E aqui chegamos com os variados racismos, hetero-machismos, capacitismos, facismos...Tantos ismos que nos perguntamos: como estas opressões se cruzam?

Carla Akotirene, intelectual soteropolitana, nos fala sobre a INTERSECCIONALIDADE, que é a necessidade de analisar como os marcadores sociais que são raça, gênero, classe, sexualidade e deficiência atravessam as pessoas tornando cada experiência singular.

Muitas vezes, pensar no diferente parece um desafio, pois exige movimento e mudança de olhar, por vezes, representando a necessidade de sair do lugar de conforto. Sair do lugar de conforto pode significar um esforço maior ou menor para as pessoas. O que é mais valoroso na dinâmica social: os valores? As tradições? O poder? As pessoas? Discussão complexa, rica e cheia de transversalidades.

Reconhecer a diversidade que existe no mundo e nas pessoas não é uma opção individual, é parte do entendimento acerca do mundo que nos rodeia e permite a ampliação da perspectiva sobre a vida. Reconhecer as pessoas em suas diversidades as faz sujeitos com identidade na sociedade e possibilita, portanto, o pensar e planejar a sociedade por meio da singularidade dos sujeitos, permitindo políticas públicas adequadas e inclusivas. O nome disso é equidade. Você considera que a organização da vida em sociedade precisa contemplar a todas as pessoas? Você considera importante, então, enxergar as pessoas em suas especificidades como sujeitos singulares?

A depender das suas respostas, aparece uma demanda por uma grande transformação. Considerando a hipótese de que grandes mudanças envolvem a todos, você também deve refletir sobre suas ações para transformar e, por isso, essa semana lançamos o desafio: quais atitudes você pode tomar quando identifica que existe um ato preconceituoso?

Daiana Nascimento, Maria Tereza de Castro e Carolina Barreto