27 de Jun de 2020

O panorama do empreendedorismo versus empreendedorismo social

“O termo “empreendedor”, do francês entrepreneur, significa "aquele que assume riscos e começa algo inteiramente novo”. CHIAVENATO, (2007).

Os empreendedores são aqueles eternos sonhadores práticos com habilidades singulares, personalidade forte, talentos que preenchem um padrão incomum perante a sociedade, pois eles têm capacidade e clareza em identificar novas oportunidades e visão para resolver problemas, por isso são parte fundamental e integrante da economia, visto que são encarregados de gerar empregos, inserem constantemente inovações no mercado, são poderosas fontes de energia e produzem dinâmicas de novas ideias, impulsionando talentos e competências. 

Trazendo agora para um contexto das organizações não governamentais (terceiro setor), os agentes que atuam neste cenário podem ser considerados empreendedores sociais, nascendo assim o termo (conceito) ainda muito recente: o empreendedorismo social. A partir de agora trataremos do conceito de empreendedorismo social, ou qualquer outro termo que tenha o mesmo significado (“empreendedorismo cívico, empreendedorismo solidário, empreendedorismo ético, empreendedorismo moral, empreendedorismo do bem, empreendedorismo transformador etc”.), e da sua diferença em relação ao empreendedorismo neutro (empreendedorismo empresarial, empreendedorismo tradicional).

“Empreendedorismo social é o processo pelo qual cidadãos constroem ou transformam instituições para promover soluções para problemas sociais como pobreza, doença, analfabetismo, destruição ambiental, abuso dos direitos humanos e corrupção com o objetivo de tornar a vida melhor para muitos". (BORNSTEIN; DAVIS, 2010, p. 12-13)

De acordo com o conceito de empreendedorismo social de BORNSTEIN; DAVIS, podemos identificar os empreendedores sociais quando enxergamos neles uma forte relação com a valiosa prática de solidariedade massiva na sua vida, ou seja, são indivíduos que acreditam em um mundo melhor através das suas próprias atitudes e comportamentos dentro da sociedade, adotando uma missão para criar/cocriar e manter valor social (agregação de valor) em grande escala. Podemos usar o termo PTM (Propósito Transformador Massivo) para estas características acima. Os empreendedores do bem buscam incansavelmente um processo constante de inovação, adaptação e aprendizagem, agindo com coragem e ousadia sem estar restrito pelos recursos disponíveis (recursos físicos, materias, financeiros, humanos, entre outros), à disposição no momento, prestando contas com transparência aos parceiros, visto que para que os projetos no terceiro setor ocorram é necessário que as associações busquem apoios tanto no âmbito privado e como no público para que juntos atinjam os objetivos propostos.

É interessante entendermos a diferença entre um empreendimento organizacional (neutro) e um empreendimento social: a criação de valor no âmbito social (criação de valor cívico) e a transparência na prestação de contas, que precisa ser não apenas para os fundadores ou dirigentes (sócios), colaboradores, mas também para a sociedade, visto que para o terceiro setor é muito mais importante uma transformação massiva social, do que o lucro (não possuem fins lucrativos), diferente do empreendimento neutro que sem o lucro não há negócio.

Por causa disto, arrisca-se dizer que o conceito de empreendedorismo solidário se afigura por proporcionar a união das duas partes ou mais (setor privado/público) em uma proposta única capaz de dissolver os princípios (conceitos) impostos pelo empreendedorismo tradicional, atualizando e resignificando uma realidade da sociedade. Ao se tratar deste conceito, pode-se usar a sigla MTV, que significa movimento transformador massivo. É por isso que o empreendedorismo transformador é considerado um movimento ético, democrático, amplo, transversal, descentralizado, cívico, inovador e exponencial. 

Steffany Dias Santos
Administradora, assistente administrativa na Pontos Diversos

 

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