27 de Mai de 2020

O trabalho como fonte de realização

Quantas coisas negativas já ouvi sobre o trabalho? Por quantos empregos, chefes e colegas ruins eu já passei? Quantas crenças limitantes, discursos sem análises profundas, falta de vivência e incorporação do que nos é posto já tentaram me repassar? Não sei nem fazer essa conta! Prefiro olhar para o agora e transformar o que muitos acreditam ser “sempre assim”. “Não adianta você mudar de emprego, todo trabalho é assim”. “Chefe? É tudo igual” – um suspiro: chefe pode ser; líder, não. Me recusei a acreditar, me recusei a aceitar, me recusei a não encontrar o meu espaço (no final daquela conta que eu nunca soube fazer, descobri que eu precisaria criar o meu espaço e novamente ouvi um discurso reproduzido e difundido de forma irresponsável: “Primeiro você vai quebrar”).

Tive oportunidades, tive privilégios, tive exemplos de amor ao trabalho, que, mesmo que eu não tenha racionalizado aquilo tudo, plantaram em mim uma paixão gigantesca e me possibilitaram o questionamento diante de todo esse sistema que nos manda abaixar a cabeça e obedecer. Quem dera todos tenham exemplos e oportunidades que lhe abram a visão e que tornem real a chance de amar o que fazem. É, sim, eu amo trabalhar, amo ter ideias e encontrar soluções, amo ter um dia produtivo, amo me sentir útil ajudando organizações e pessoas, amo ter idealizado um espaço que enxerga mais do que números e resultados lucrativos, amo ser agente transformadora dessa realidade que pintam com gosto amargo e tarjam como ruim. Somos além do trabalho e somos muito o nosso trabalho. Estamos ali também, ali tem um pedacinho de nós, ali é expressão do nosso ser.

Como (quase) todo viciado, sinto prazer nisso. Sou Workaholic (viciada em trabalho) e tento constantemente me conscientizar disso. Penso até que minha profissão e personalidade contribuam muito para esse estado de vício: Relações Públicas com ideias fervilhando o tempo todo, tudo é estímulo para a criatividade, os relacionamentos não dormem (estão ali 24h acontecendo) e sempre fui muito dedicada ao que faço, principalmente, em relação aos estudos e ao trabalho. Tenho uma queda também por me sentir boa no que me proponho a fazer, então, quero sempre me destacar para mim mesma. Gosto da sensação de não ser comum e o mundo é tão diverso, né?! Todos nós temos algo que é só nosso e se a diversidade é muitas vezes usada contra nós, que a transformemos a nosso favor levantando mãos e gritando o nosso espaço. Só que isso tem um preço, meus amigos.

É... Já fiquei sem trabalho, mas tinha casa, comida e ninguém para sustentar. Já disse o que eu pensava, mas sempre com consciência sobre as consequências e pronta para arcar com todas elas. Já deixei empregos porque não achava recompensador não participar de momentos importantes da minha família e amigos, mas já deixei de lado a minha qualidade de vida muitas vezes em prol do trabalho. É uma balança que sempre pende e o equilíbrio é muito raro. Qual o ponto do equilíbrio? Alguém aí tem uma fórmula? E quem poderá te dizer: “Largue o seu trabalho” ou “Fique no seu trabalho”? Só você. Só você conhece de fato as suas necessidades, as suas dores e os seus amores. E, se a gente pensar, então, em um país com dados alarmantes de desemprego, subempregos, doenças ocupacionais, saúde mental fragilizada, desigualdades de todas as ordens... Só você mesmo para conhecer a sua medida.

Se me fizerem aquela clássica pergunta de "Daqui a 5 anos, como você quer que esteja sua vida, o que você quer, etc?". Daqui a 5, 10, 100 anos, só tenho uma resposta: ser feliz, continuar sendo. O restante que venha junto! Esse é o meu "algo muito maior". Cada um tem o seu! Não é sobre romantizar o trabalho, mas há muito amor nele. Workaholic assumida e em tratamento, me sinto feliz e, assim, vou cumprindo a minha meta maior!

A nossa mente nos impulsiona ou nos limita. Como você vê o trabalho?

Andrea Marnine
Relações Públicas com MBA em 
Gestão de Pessoas e em Marketing Estratégico
Idealizadora da Marcô Coletivo de Comunicação