19 de Mai de 2020

Que loucura é essa?

Nós somos seres diversos, potentes e marcados... esses três adjetivos remontam a uma história pessoal, esta que se relaciona com a história da nossa família, a história do local onde moramos, a história do nosso país e como tudo isso reflete na gente. Então, quem somos nós? Que matéria nos constitui? Quais as nossas angústias, quais as nossas esquisitices?

Somos diversos, mas a todo o tempo somos cobradas(os) em caixas e padrões sociais. Que loucura é essa? Existe em nós uma infinidade de emoções e sensações, mas a todo o tempo somos obrigadas(os) a não chorar, não gritar... nos dizem: "Não fique triste! Não se sinta mal! Alegria demais incomoda! Fique magra(o), seja lisa(o), não SINTA!". Que loucura é essa?

Maio é um mês propício para falarmos sobre isso, é o mês da luta a favor da liberdade dos sempre vistos como diferentes, daqueles que não acatam a uma norma. Se veste roupa assim é isso, se anda assado é aquilo, se pinta, se canta, se seus textos são assim ou assado você não terá sucesso. Precisa pensar e se expressar dessa forma. Essa que criamos para você antes de nascer. Que loucura é essa?

Para ser saudável precisa pesar isso, vestir aquilo. Não fale de sua sexualidade, isso é loucura! Se você é mulher, não pode, não pode e não pode. Que loucura é essa? No final, ser quem somos custa um preço alto. Quem somos? Que loucura é essa?

Quando não atendemos às expectativas somos loucos, então? Seguimos assim produzindo e reproduzindo socialmente a loucura. Estamos falando de pessoas demasiadamente humanas, as loucas e os loucos. Sejam os que têm seus diagnósticos, sejam os que não os têm, mas, ainda assim são considerados loucos por não atenderem às expectativas do outro.

Quem deu tanto poder a esse outro que considera a loucura do outro mais louca? É o que vamos questionando quando descobrimos que “louco é quem me diz que não é feliz”. Quando entendemos que precisamos acolher nossa história, percepção, emoção, sensibilidade, sexualidade "eu juro que é melhor não ser o normal” afinal, somos seres únicos.

Há quem diga que não, mas... Que loucura é essa?

Carolina Barreto, Daiana Nascimento, Fanny Oliveira, Tereza Castro e Rafael Silva